O Extremo da Não Violência no Budismo Engajado.

A não violência é aplicável a qualquer momento? E em um caso de autodefesa, em que o agressor está completamente descontrolado? O que as tradições budistas pensam disso?

É conhecido que existem várias tradições budistas, com diversas interpretações, algumas com posições éticas e morais mais rígidas, outras mais flexíveis. Mas além das tradições budistas, há também um movimento conhecido como Budismo Engajado. Em termos gerais, Budismo Engajado é o nome dado para movimentos sociais budistas diversificados que vem crescendo nos últimos anos. Por mais que muitas de suas ações e projetos se diferenciem entre um movimento e outro, mostrando uma diversificação necessária de acordo com os contextos de cada um deles, há uma defesa por muitos desses grupos pela não violência em qualquer situação. Essa atitude é muito mais inspirada no movimento de Mahatma Gandhi pela independência da Índia e por um modelo de budismo totalmente pacifista, que foi impulsionado por professores tibetanos na sociedade norte-americana. Modelo esse que não condiz com o histórico da relação do budismo com o militarismo no oriente e nem com o desenvolvimento de artes marciais com fundamentos budistas.

Esses dois modelos – tanto o inspirado por Gandhi, quanto o impulsionado pelos professores tibetanos na América do Norte – explicaria, de certa maneira, a construção de um pacifismo extremo no Budismo Engajado ocidental – por considerar qualquer tipo de violência injustificada –, mas não naqueles que tem origens mais isoladas, mesmo que tenham ficado conhecidos posteriormente, como é o caso dos movimentos no Sri Lanka e na Tailândia. Quando comparamos esses modelos com a história do budismo, seja na Índia – principalmente na época de Asoka –, ou no Japão, na China ou no Tibet, entendemos que o budismo teve relação com o poder militar em algum momento, influenciando inclusive a forma de se pensar a violência, sendo escrito até mesmo orientações, como aquelas do monge zen Takuan Soho, de como posicionar a mente durante um combate de espadas.

Com todas essas relações, muitas reflexões a respeito do tema são possíveis, mas dois direcionaram as reflexões presentes nesse artigo. Primeiro se seria possível legitimar a aparente contradição da não violência extrema e a relação que o budismo teve com o militarismo (no oriente) através dos ensinamentos do Buddha. O que nos levou ao principal: quais os parâmetros, no budismo, para refletir sobre os limites da violência e da não violência?

– Por Max A. Sawaya.

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https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/PF/article/view/10565

Imagem: Achala Vidyaraja (Fudo Myoo), Japão, período Heian, 1100-1185 DC. Museu de Arte Asiática de São Francisco.